Terça-feira, 31 de Janeiro de 2012

Por incrível que pareça, ninguém chora só para irritar o outro. Chorar é uma coisa muito mais orgânica que aquilo que se pensa e nem sequer é sinal de fraqueza. Uns berram em vez de chorar ou mandam os que choram parar. Devem aprender que berrar, barafustar, irritar-se não é sinal de força nem de fraqueza, nem chorar, nem manter-se calmo (aparentemente), são tudo formas de expressar algum descontentamento, mas como em tudo na vida, as vias de cada um são diferentes. Afinal, um deles é fraqueza: aquele dos que nunca se descontrolam.

O livro e a instrução massiva...


http://discussaoemtornodeumlivro.blogspot.com/2012/01/o-livro-e-uma-arma-de-instrucao-massiva.html

Quinta-feira, 26 de Janeiro de 2012

Vêm agora a incompreensão, a fragilidade, o medo. Podes ter medo, podes ser frágil e chorar. Podes fazer exactamente o contrário, mas eu quero estar aqui e quero que saibas que estou para que possas partilhar todas essas miudinhas coisas que te invadem. Porque se me deres um bocadinho, sobra menos para todos.

Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

Opção B

Às vezes tenho a sensação de que sou a opção B, como se este lugar que ocupo não fosse meu.
Como se a vida que vivo estivesse destinada a outra pessoa, mas por uma qualquer fatalidade essa pessoa não pudesse seguir o seu "destino", e aí, tivesse aparecido eu para seguir um destino semelhante, mas que não é o meu, com as devidas falhas na adaptação. Quem será a minha opção B?

Terça-feira, 24 de Janeiro de 2012

Conversas de autocarro

Chateia-me que muitas das pessoas que protestam contra a divisão de classes não se vejam ao espelho, não percebam que a atitude delas é uma das causadoras dessa divisão, por se sentirem superiores ou inferiores,por prestarem vassalagem ou desprezarem consoante a classe social. Como em tudo na vida, existe de tudo em todo o lado: pessoas simpáticas e antipáticas, pessoas que diferenciam e que não diferenciam o tratamento, pessoas que dão e pessoas que tiram. Nos ricos e nos pobres. Por vezes é triste de se ver, por vezes é surpreendentemente agradável.


Ler mais em: http://lounge.obviousmag.org/o_trisneto/2012/01/felizmente-estas-ideias-estao-a-mudar-ha-luar.html#ixzz1kOXxbiLS

Segunda-feira, 23 de Janeiro de 2012

Ser Melhor

Querer ser melhor que os outros não é, como facilmente se apregoa por aí, pecado nenhum. Desde pequena que me dizem "Queres ser mais que os outros, é?" com ar de repreensão.
Penso que é totalmente saudável querer ser-se melhor, desde que isso não nos cegue e não nos faça passar por cima de tudo em nome desse objectivo. Porque querer não é o mesmo que achar-se. Estou convencida de que todas as pessoas que foram grandes quiseram, por inveja, vingança, sentimento de superioridade ou outra coisa qualquer que soa a mesquinha, ser melhores que os outros, em alguma coisa... ou então era apenas uma necessidade interior de se ver aprovado por si e pelos outros (todos queremos ser amados). Mas quiseram ser mais sem nunca se esquecerem que a qualidade existe em muita gente e que não ser o melhor não é afinal tão grave, mas a vontade de o ser é que nos torna rigorosos e bons, mesmo que não génios.

Namoro - Almada Negreiros


A.A.

Quinta-feira, 19 de Janeiro de 2012

A vantagem de ser constantemente invadida por alergias é que posso chorar até ficar com uns olhos horríveis sem que os outros me descubram em desgostos...

Quarta-feira, 18 de Janeiro de 2012

Há pessoas que podemos ver consigo mesmas, porque se distraem e entram nos seus mundos ou porque conseguem abstrair-se. Algumas não. Há pessoas que se esforçam por, quando estão perante conhecidos, não entrarem no seu mundo próprio. Eu sou uma delas e isso talvez seja triste.

Domingo, 15 de Janeiro de 2012

Branco

Olhar para uma página em branco, ter vontade de escrever e não saber o que escrever, é uma angustia que recorrentemente experimento. Não é uma necessidade de escrever para me lerem, porque muito do que escrevo não chega a mais ninguém que não a mim mesma, é uma necessidade de mostrar-me que consigo desenvolver uma ideia, pensar e escrever sobre ela. É uma prova que quero dar-me, como se a cada instante estivesse a duvidar das capacidades que acho que tenho. Eduvido mesmo, mas depois volto a acreditar, é um ciclo vicioso.

Quarta-feira, 11 de Janeiro de 2012

Isto. já têm uns aninhos!



OHHHHH...Isto. faz 4 anos de existência e este é o post 1000!
...claro que não foi planeado, por isso, agora estou quase emocionada!

Obrigada querido blog por me teres ensinado a escrever.


Agora escrevo também aqui, desde ontem:





Terça-feira, 10 de Janeiro de 2012

Limpeza geral

Preocupações com problemas já resolvidos é ocupar espaço em vão, é evidente, mas por vezes esquecemo-nos de fazer limpeza geral: parar 2 segundos e pensar "Não tenho de me preocupar mais com Isto.".
Então, andamos por aí a carregar um rosto carregado,não sabe com quê, até nos lembrar-mos, miraculosamente, que já nos tínhamos decidido acerca da resolução a tomar...e é tão bom quando se decide algo e nos podemos ambientar a essa decisão antes de ela acontecer. Estar preparados, antecipar, planear e no fim, chegar à conclusão que temos de mudar a decisão... porque não é aquilo que vamos querer.

Domingo, 8 de Janeiro de 2012

A beleza surge nos rostos assombrados pelo pensamento, dos que viajam sozinhos. Pensar sem o ruído de alguém. Ela têm o pensamento fixo num ponto lá ao longe, que não vê. dentro, surgem diálogos imaginado ou tidos, recordações, histórias, contos, preocupações.
Uma senhora sabe que está a ser observada, pede, em silêncio ajuda, sem saber se a posso ajudar, em quê. Isso, na verdade é pouco importante. A ajuda é quase sempre bem vinda, seja no que for, porque só se chama ajuda quando ajuda realmente.

Sexta-feira, 6 de Janeiro de 2012

Ano novo!

Tenho pena de escrever pouco. Tenho saudades de uma escrita compulsiva, necessidade de escrever páginas e páginas de... Vou voltar! Aproveito para fazer uma resolução de ano novo. ESCREVER. Estar, Crer, Ver, Criar. Reapaixonar-me pelas palavrinhas todas agrupadas a fazerem bordados em todos os cantos. Bom ano!

Domingo, 25 de Dezembro de 2011

Quinta-feira, 22 de Dezembro de 2011

Uma poesia

Uma poesia onde não se fala do antigo, nem das paisagens, nem de arte e beleza, não se fala de lixo, fumo, cortes e pântanos. Uma poesia onde tudo é de plástico, sem interesse, sabe a plástico, uma poesia com fast food e carros, com bancos forrados a pele e travões, uma poesia com um balão de Erlenmeyer e uma cabeleireira de topo. Uma poesia fútil, com botas luxuosas de cano alto e muito, muito estilo

Segunda-feira, 19 de Dezembro de 2011

Caminhar com as mãos

Olhou os pés enrolados nos seus sapatos que para nós, eram uma camisola. Claro que é menos resistente um pano que uma sola, por isso, aconselharemos Z, a mudar a ordem das vestes, a comprar novas tendências. Mas Z caminha com as mãos no chão, em direcção ao vento verde-claro. A sua sensação de caminhar sobre o céu é assim mais próxima daquilo que a flor chama, com um ar de impossibilidade questional, realidade.

Ao pé da árvore em que Zé pára para descansar, em outra pedra, aparece um menino de seus 30 anos.

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

O guarda-chuva como um escudo contra a chuva. Contra o sol cegante e as lágrimas. Ser como Lídia e deixar a água correr só de mãos dadas, mas eu não te vou pedir que soltemos as mãos. Se as soltarmos cairemos, um para cada lado. Como se estivéssemos em equilíbrio apenas porque nos contrabalanceamos nos pontos de maior perigo para a queda. Sustentamo-nos. Fiquemos serenos e confiantes como ela, mas sem correr esse risco de soltar as mãos.
Mesmo que não caíssemos, ficaríamos com certeza a pairar sem saber para onde ir...fica.

Sexta-feira, 9 de Dezembro de 2011

Medo de nós

Não escrevo já aquilo que quero, com medo que leias o que não queres. Eu não quero ter medo de ti. De te desiludir, desobedecer, irritar. Ajuda-me a não ter medo de ti e de mim... de estar nesta página a dizer estas coisas, ajuda-me a me não deixar fugir-te ou fugires-me....
Tal como a lua consegue ser bela à custa de uma luz roubada, também nós podemos brilhar tornando nossas, as ideias de outros.


Terça-feira, 29 de Novembro de 2011

Sinto-me sozinha estando acompanhada. Porque no momento em que a companhia era precisa, a solidão apareceu. Ficou para o resto do dia. Sem culpa tua, mas o sentimento instalou-se. Amanhã vai embora... talvez.

Fernando Pessoa

"A única maneira de teres sensações novas é construíres-te uma alma nova. Baldado esforço o teu se queres sentir outras coisas sem sentires de outra maneira, e sentires de outra maneira sem mudares de alma. Porque as coisas são como nós as sentimos – há quanto tempo sabes tu isto sem o saberes? – e o único modo de haver coisas novas, de sentir coisas novas é haver novidade no senti-las.
Muda de alma. Como? Descobre-o tu."

Fernando Pessoa

Terça-feira, 22 de Novembro de 2011

Um textinho por dia, não sabe o bem...

Dieta de escrita, para mais facilmente comunicar as minhas razões, ideias e sugestões às pessoas. Por vezes é difícil expressar-me falando, saem antes gestos, sons soltos, ou movimentos involuntários. Mas na escrita não. Há tempo, não há ninguém à minha volta...é um meio tão discreto de comunicar que traz uma segurança capaz de dizer quase qualquer coisa de uma forma clara, porque não têm limite de segundos. Ao falarmos com pessoas, se ultrapassar-mos a margem, perdemos-lhe a atenção. Não será por acaso que os escritores e filósofos falam devagar, por entre baforadas de fumo ou algo parecido...mas eles não têm medo de perder o tempo de antena.

Segunda-feira, 21 de Novembro de 2011

Completude o quê?

Vivem os mudos sem falar. Os cegos sem ver. Os surdos sem ouvir. Será que as pessoas "normais" têm falta de alguma faculdade que só meia dúzia de pessoas pouco conhecidas têm? Porque é que achamos que estamos completos? Pode faltar um sentido qualquer que ainda não sabemos que nos falta... suponho que os cegos de nascença não sabem que não vêem, até alguém lhes dizer.

Domingo, 20 de Novembro de 2011

Sei que às vezes é apenas uma força de expressão.

Todas as pessoas são sinceras. Todas, nunca conheci ninguém que não dissesse sê-lo. Pode ter os defeitos todos mas ao menos é sincero. Faz-me doer os nervos essa auto-promoção enganosa. Irrita-me, não sei porquê. Porque se faz uma pergunta e a pessoa responde "vou-te ser sincera tatatatatata". Claro que vai ser, é esse o princípio de que se parte...esse reforço da sua suposta superior honestidade corrói-me. Porque é que ninguém começa uma frase por "vou-te mentir à grande...tatatatata" isso seria novidade e seria sincero. A não ser que dissesse a verdade, claro.


Segunda-feira, 14 de Novembro de 2011

Comboios

Ouvia-se silêncio. E um continuado barulho de carruagens que não passavam. E corujas. Um dos comboios parados tinha a porta aberta como convite de espreitadela. Lá dentro nada. Talvez esteja aqui parado há anos, como as fábricas que rodeiam as estações. E uma pensão. Alguns viajantes não conseguem concluir a viagem, alojam-se ali na pensão. Alguns viajantes não têm comboio para o sítio que desejam, mas circulam na esperança de um dia lá chegarem.

Quarta-feira, 9 de Novembro de 2011

Olhos

Choram porque vêem demais ou não querem ver. Choram por medo. Choram porque a luz é tanta que as cores não deixam ver mais nada que a superfície. Choram porque a superfície é opaca e brilhante e cegante. Porque não se vê o lado escuro e sentem nessa luminosidade exagerada uma falsidade disfarçada de alegre simpatia. Choram porque o jogo das cores é lindo demais para existir fora...dentro... de nós... porque não conseguem comportar toda a alegria de hoje, aqui, com as gotas de chuva a reflectir por aí. São pequenos demais. E chegam assim.

Terça-feira, 8 de Novembro de 2011

A máquina faz barulhos estranhos. Ao mesmo tempo, é como se eles acontecessem cá dentro. Levanto-a a ver se não passa de vibração no tampo. Se me elevasse também deixaria de ouvi-los?Os ruídos não cessam totalmente, é um problema mais profundo. Será melhor encontrar um cura para dentro... Talvez tu sejas...tu mais esses olhos que anseiam por ver no escuro. E encontrar-me-ás, a olhar para ti com atenção.

Sexta-feira, 4 de Novembro de 2011

Visionário

Era um mundo onde as pessoas eram tão lentas tão lentas que nem saiam de casa porque quando estavam a acabar de se vestir para sair, ficava de noite.... Estas pessoas ficavam todas burras, porque nunca iam à rua, não faziam nada e não iam à escola.

E foi mais ou menos o que me disse uma criança de seis anos.... onde é que ela viu toda esta lentidão? Terá sido por aí, na sociedade?

Domingo, 30 de Outubro de 2011

Conhecer em silêncio (sem romances)

Há pessoas que se cruzam tantas vezes nos espaços que frequentemente visitamos que nos tornamos uma espécie de família irrevelada. Talvez sem falar.Esquecemos se são ou não nossos conhecidos, se falámos com eles. Um dia, essa pessoa aparece por meio de um qualquer amigo num contexto diferente...e tu sabes, "conheço esta pessoa". Sabes o que ela gosta de ver, como se veste, com quem anda, o que bebe, como dança, o que ouve, como age em público, talvez conheças a sua voz... podem dizer-me então que somos desconhecidos por nunca termos sido apresentados ou termos falado? Posso sorrir-lhe quando a vir por aí?

Quinta-feira, 27 de Outubro de 2011

Inventamos pouco, mas apuramos a eficácia de muito. O tempo. Rápido. A estética também. Não tanto novos mundos, mas uma tentativa de aproveitar melhor o mundo que se têm. Acho que estou a fazer um elogio...mas não tenho a certeza.

Segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

António Silva Porto


A vingança nos olhos.
Na areia, escava-se a coragem para enfrentar esse que lhe levou almas queridas. Mar. A mar. O mar que a cada onda mansa amansa a sede de vingança. E ela cede, nas mãos, nos pés...não nos olhos. Ao escavar a coragem ela encontrará o perdão, para oferecer com os olhos serenos ao mar e A mar aquele que as almas queridas levou.

Quarta-feira, 19 de Outubro de 2011

Posso entrar?

Ser bem recebido não é ser recebido num sítio desinfectado, limpo, transparente e brilhante...isso é ser recebido em hospital. Mas ouve, podes receber-me num sítio brilhante, transparente, limpo e desinfectado, desde que me recebas brilhante de alegria, transparente nos actos, limpo na mente e desinfectado de preconceitos. Quero ser bem recebida por ti e não pelo ar que te rodeia. Quero que me queiras aí, e nos sintamos familiares, próximos, à vontade, disponíveis para rir, cantar, criar...e quem sabe, ter uma grande ideia (que provavelmente nunca se irá realizar ;)...

Sexta-feira, 14 de Outubro de 2011

No sobressalto. Ela quer confiar e desconfia. Ela sofre por desconfiar da confiança. Sempre pensou que seria diferente. Luta consigo mesma para não ter de eternamente lutar contra essas partes falsas de si. Luta por se entregar sem medo do engano. Ganha quem dá.

Quinta-feira, 13 de Outubro de 2011

Se pudesse dizia tudo em duas palavras apenas...mas tudo é uma palavra só, e só também.

Terça-feira, 11 de Outubro de 2011

É preciso ter LATA!

Na minha educação existiu um reflexo da ideia de que nunca vou conseguir fazer algo mesmo bom, bom, bom! E por isso, o melhor é nem tentar propor coisas. Propor é supostamente estar convencido de que se é bom! A perspectiva de poder errar é mal aceite, porque foste todo convencido e agora nem deu em nada! Ficamos quietos porque há alguém que faz melhor que nós.

Irrita-me este medo de não ser assim tão bom, de falhar, de parecer convencido. O que pode acontecer se falhares?
Bem...caso o teu falhanço prejudique gravemente alguém, fica quieto, mas se não for o caso, faz! Toda a gente sabe que os melhores que nós, começaram por algum lado!

Dia da Revolta Interna! Ha Ha!
Lá estão os benefícios da crise, que alerta, que vêm tirar tudo do conforto.

Segunda-feira, 10 de Outubro de 2011

Corre-se atrás do mundo. Quando se acompanha o ritmo dos dias no globo, desacompanha-se parte do ritmo nosso interior. E lá no fundo uma voz pede atenção...sabe-se lá se se não é o blog a chamar-me agarrado à minha saia a pedir que lhe dê um rebuçado. Mas os rebuçados não os tenho...e então, deixo Isto. hoje apenas.

Sexta-feira, 7 de Outubro de 2011

Blow up - Pedro Mexia

Tenho fotografias que provam

que nunca exististe




Terça-feira, 4 de Outubro de 2011

Sinceridade insultuosa

Lembro-me que a certa altura no filme do Almodóvar "Carne Trêmula", um dos personagens acusa o outro de ter uma "sinceridade insultuosa" e desde então que procuro e por vezes encontro...e dói... o verdadeiro significado dessa expressão...

Domingo, 2 de Outubro de 2011

Quando me assombra uma sombra és tu que apareces. Não fazes mais que qualquer coisa que já fizeste antes e eu decorei, mas aquele aconchego de te recordar procurando a minha segurança no sono traz-me uma luz das que se utilizam nas metáforas. Não é a tua pele que sinto, nem a respiração, é uma espécie de veludo silencioso sobre a paz e uma mão macia a adormecer-me o cabelo...eu a tentar ficar acordada mais um pouco para usufruir desse momento.

Sexta-feira, 30 de Setembro de 2011

O que sinto agora, só em um desenho podia expressar. Mas não tenho por aqui os lápis...

Quinta-feira, 29 de Setembro de 2011

Técnica da Máscara

Pode não ser uma realidade, mas...num grupo de pessoas das quais não conheço o sono e os hábitos dentro de uma casa, tenho a sensação de que, o tempo todo, preciso de estar atenta a essas pessoas, preciso de falar com elas, interagir, rir, ser simpática: Usar uma Máscara. O meu tempo sozinha é-me necessário e eu não sei tê-lo junto de pessoas onde o silêncio é incomodo. Como saber estar sozinha quando à volta uma sociedade interage entre si e comigo sem se lembrar de estar "farto de companhia"?

Terça-feira, 27 de Setembro de 2011

Alguns dias apetece-me mesmo pensar que tenho tanto direito quanto os que conseguem isso, a fazer o que gosto e (claro) ser paga por isso!

Quarta-feira, 21 de Setembro de 2011

Nota Mental:

Porque é já alta noite. Agora as casas pensam, mas ninguém está acordado...ou os que estão, estão fora. Sente-se as memórias a passar em volta, a sorrirem, outras a chorar e outras indiferentes a sentimentos desses. Lembram-se por que se querem recordar de si. A felicidade, que afinal é um quase estado, leva com ela o desfrutamento desses horários de pensamento. Assim, ficam as altas horas em silêncio no escuro...à espera que alguém as olhe e as escreva aveludadas, como sumo natural...

Terça-feira, 13 de Setembro de 2011

O quarto.

Vista daqui é mais difícil, respira-se por uma fresta pequena para quem quer tanto ar. A sépia torna-se parte dos meus olhos tão sensíveis a cores. Doí-me a cabeça e penso na febre que não tenho, mas o estado físico é o mesmo. Escrevo de olhos fechados para aliviar o céu que está tão lá em cima. À frente não temos saída. têm de se trepar a parede lisa. Chegar ao cimo e correr os telhados em busca de gatos pretos, muito escuros...de olhos vivos, muito vivos.

Segunda-feira, 12 de Setembro de 2011

O medo de não ser amado.

Tenta tonar-se especial. Seja porque é muito boa a fazer bolos, por ter descoberto a cura para a sida, por saber de cor os nomes de todos os rios, por conseguir pular mais alto, por chegar à lua...desde pequenina até  ser velha, espera ter uma particularidade que faça os outros reparar em si.  A dimensão do feito importa, mas quando ela não pode ser muito grande, engrandece-a como se fosse algo realmente bom e inédito, dentro ou fora dela. Mesmo sem se gabar disso,tem de ser heroína em alguma coisa... e  somos mesmo...mas às vezes não sabemos bem em quê.

Sexta-feira, 9 de Setembro de 2011

L'annunciazione - Albert Savinio

Calou-se o galo homem. cantava ele as manhãs todas, acordava-as, até ao dia que foi despedido. O bico cresceu até abafar o som da garganta que ele teve que engolir, dizem que lhe provocou indigestões. Não mais anunciou e, como bem, a cantora dos olhos tristes sentia-se mal também, por o ter calado. Cantaria melhor, mas se  seu canto era de desespero, na voz do galo a alegria existia. Cantava a cantora bonito que quase fazia o amanhecer chorar. Mas desafinadito, o galo cantava o bom dia, trazendo no canto mais magia.  

Quinta-feira, 8 de Setembro de 2011

Creio que, sem saber, um dos meus maiores passatempos é acumular lixo na carteira. E há-de ser  de muitas mulheres... palpita-me!

Terça-feira, 6 de Setembro de 2011

As verdades são mais difíceis de ver.

De vez em quando lá aparece uma pessoa, desconhecida, com uma qualquer qualidade que salta à primeira vista e a engloba. E por breves momentos eu queria ser ela. Não conhecer, não estar com ela, SER. Depois chateio-me comigo sabendo que eu sou a primeira a ter de saber aceitar-me como sou. Depois chateio-me por me ter chateado comigo. Penso agora nas pessoas com qualidades dessas, que gostam de mim e...talvez eu não conheça todas as minhas qualidades. Mesmo que pareçam mais fáceis de ver que os defeitos... tudo o que é verdadeiro requer uma observação mais minuciosa.